25 de nov de 2011

Memórias do Gorilla em Blumenau-SC

Ninguém do “comitê central” do Blog Do trilho pra cá compareceu ao show do Gorilla Biscuits em Blumenau. As razões são múltiplas, falta de grana, trabalho marcado no mesmo dia e tal. De qualquer modo, convidamos pessoas que estiveram presente no último dia 19 de novembro na cidade de Blumenau - SC. Os primeiros convidados são o tatuador Ribas e o “manager” e diretor da Torcida União Tricolor Nalvan. Os dois ostentam orgulhosamente um X nas costas de cada mão e ainda levam o hardcore como uma verdade absoluta.

A seleção de imagens são responsabilidade do blog: as fotos estão no perfil do Raphael Youthh


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Fiquei um pouco receoso quando o Maikon pediu para que eu falasse sobre o show, pois faz muito tempo que não escrevo algo para fins relacionados ao Hardcore, mas gostei da idéia de colaborar e passar minhas impressões adiante. Antes de qualquer coisa preciso confessar que o Gorilla Biscuits não é e nunca foi uma das minhas bandas preferidas, apesar de saber e reconhecer o imenso valor histórico que tem e achar uma ótima banda! Mas, para mim, sempre foi daquelas que só sei os refrões das músicas mais conhecidas... mesmo assim, considero imperdível um evento desses, ainda mais por acontecer em SC.

Gorilla Biscuits é o tipo de banda que possui um público heterogêneo. Se alguém pensou em não ir pelo simples fato de não ser Straight Edge, pôde comprovar quese trata de um show “democrático”. Não foi um show para edgers. Foi um show de Hardcore, verdadeiro... e contemplou as pessoas que conheciam ou não a banda. Contemplou quem gosta de ouvir Hardcore.

Já que o Nalvan falou em democracia, o baixista Arthur expressando o seu ódio ao capitalismo, saiba mais no IWW

Foi aquele tipo de evento que faz todos os caras mais velhos do hardcore saírem de casa. Foi ótimo ver tanta gente emocionada. Os caras com 30 ou mais de idade se comportando como se tivessem 18 novamente, se divertindo com brilho nos olhos. E ver os mais novos com expressão de esperança no rosto. Foi ótimo também eu ser tomado mais uma vez por uma sensação de “eu pertenço mesmo a isso aqui, esse é meu lugar”!

O show em si foi ótimo! O Walter no vocal teve uma presença de palco incrível! Disse coisas interessantes entre uma música e outra, o que é sempre muito importante. Bom demais perceber que a banda estava fazendo aquilo com sinceridade e alegria verdadeira, era notável isso. Foi a celebração da célebre frase “young 'till I die”, de fato. Se você ainda gosta de Hardcore e não pôde comparecer, comece a se arrepender.

Nalvan xxx

Ver um show de hardcore onde o público é constituído em grande parte por pessoas com mais de 30 anos já é suficiente pra sentir que não é algo que acontece todos os dias, muito menos na nossa querida Santa Catarina. É difícil pra mim falar de um show histórico como este do último Sábado, sem expressar um pouco de nostalgia dos tempos de “Double Phase” em Joinville, e com esses tempos, meus primeiros contatos com os shows de punk-hardcore. Digo isso porque no show em Blumenau, senti a mesma emoção que lembro sentir naqueles dias de primeiros contatos com essa realidade complexa que é o “underground”.

O espaço é curto pra escrever, mas posso resumir o show como a celebração do que EU considero o verdadeiro hardcore. Todo mundo se divertiu junto. Cantou, dançou, se emocionou. Sem estrelismos, sem pseudo “heróis da cena”. Enfim, a coisa foi como deveria ser sempre, mas que a algum tempo não tenho visto pelos lados de cá. Por isso é importante lembrar o mérito da organização do evento, que encarou o desafio e a encrenca de fazer acontecer um show desse porte, em uma cidade como Blumenau, que assim como grande parte de Santa Catarina, a tempos não possui uma movimentação de pessoas no sentido do punk-hardcore “faça você mesmo” (sem apoio de patrocinadores externos) como foi o esquema feito. Teve também venda de rango Vegan, livros, CDs, discos, merch das bandas, e materiais independentes.

Infelizmente nem tudo são rosas, pois a lotação prevista, de 300 pessoas, ficou longe de ser atingida, beirando os 200 pagantes. O que, para um show dessa importância, é no mínimo, ridículo. Houve o fato de o vocalista oficial ter sido substituído pelo guitarrista, Walter, nos shows do Brasil. Pois CIV, sofreu um acidente durante um show em BsAs. Talvez a formação alternativa da banda tenha afastado alguns “fãs”, do show. Mas quem esteve no Salão Dorow teve a certeza de que a mudança não tirou nada da energia do show, que estava toda lá, presente, e re-carregada!!

Ribas

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