26 de ago de 2011

Entrevista com o Coletivo Molotov

Joinville é uma cidade estranha. Um dia amanhece com um coletivo formado por punks e skinhead cuja pauta é a luta anti-fascista. Faço referência ao Coletivo Molotov. A curiosidade inicial levou a primeira entrevista diretamente ligada a cidade base do Blog Do trilho pra cá. A entrevista está para vocês formularem opiniões e alimentarem o debate.

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1) O que é o Coletivo Molotov? Quais são os objetivos do coletivo?

O Coletivo Molotov é um agrupamento de indivíduos apartidários que se identificam com idéias anarquistas e comunistas (não "Stalinistas") e logicamente com a luta antifascista.

O coletivo tem por objetivo:
- Baseia-se no princípio de autogestão, ou seja, as relações internas são relações horizontais de solidariedade e de coletivismo, onde as decisões são estabelecidas por unânimidade.
- A adesão de novos membros tem como presuposto, pelas afinidades pessoais e políticas, o que impossibilita o vazamento de táticas e informações.
- A luta contra o modelo político republicano, que impede de existirem as liberdades individuais em defesa de um conceito do “bem comum”.
- A recusa a herança moral cristã, tal como dos hábitos e costumes sociais incutidos desde a infância, geradora de opressão, repressão, preconceitos, submissão, dentre outras coisas.
- A luta incansável contra o sistema econômico capitalista usurpador do sangue proletário, que nos explora através dos monopólios, nos forçando a servir como escravos.
- A propaganda revolucionária aos excluídos do modelo republicano do “bom cidadão”. Visando adquirir novas alianças seja com indivíduos ou coletivos.
- O combate aos grupos nazi-fascistas.
- O planejamento de ações, que contraponha a indiferença generalizada que vem sendo demonstrada pela sociedade e até mesmo por indivíduos ligados às contra-culturas.
- Não compactuar com grupos ganguistas ou sectários.

- Futuramente iniciar os primeiros passos para a construção de uma comunidade antifascista visando dissiminar os ideais da esquerda revolucionária.

2) O Coletivo já procurou informações sobre a presença skinhead na história do subterrâneo da cidade?

Bem, quando você fala de Skinhead entendemos como um indivíduo antifascista que não tem qualquer tipo de ligação com a direita, pois do contrário seria um "bonehead".

Sabemos que houve uma ceninha local de boneheads no início dos anos 90, e que eles costumavam se encontrar na ferroviária, ZS. Mas não temos conhecimento a fundo sobre ações políticas dos mesmos.

Se tratando de Skins:

Conhecemos alguns skinheads ligados a cena vegan e sxe na cidade, assim como um companheiro de outro estado.

Recentemente entrou para nosso grupo de apoio um S.H.A.R.P. que veio de fora.

Todos que tiverem interesse podem estar acompanhando nosso trabalho através do blog: www.coletivo-molotov.blogspot.com

3) E a presença nazi-fascista na história da cidade, o coletivo identificou algo?

Apesar da grande maioria dos indivíduos do coletivo terem vindo de outras cidades, procuramos sim nos informar a respeito da história da cidade.

Encontramos informações sobre o colégio Bom Jesus e sua ligação com o nazismo antigamente, assim como o regime autoritário varguista que visava abrasileirar os brasileiros, gerando uma forte xenofobia.

Também encontramos diversos documentos a respeito da AIB (Ação Integralista Brasileira) que se organizou não só em Joinvile como em praticamente todo o estado de Santa Catarina. Em Joinville existiam periódicos integralistas como: "O Anauê", "O Pliniano" e o "Die Zunkunft".
Joinville já teve até prefeito integralista.

4) Atualmente, é possível identificar grupos ou individualidades nazi-fascistas [na cidade]?

Sim, porém aqui os indivíduos e grupos não mostram tanto a cara na rua como em cidades onde o rolê é mais intenso, aqui eles preferem fazer seus encontros por debaixo do pano. Mas temos conhecimento de pelo menos duas bandas nazi-fascistas na cidade. Também tem indivíduos conhecidos de outros rolês e anos atrás, que provavelmente estão aqui devido ao fato de estarem com a ficha suja demais. Mas com certeza dissiminam as idéias de extrema direita hoje em dia, as mesmas que cultuavam nas ruas em tempos passados.
Tem outros com mais idade ainda que são inclusive donos de empresas.

O grupo que mais tem chamado a atenção é o NSBM (Black Metal Nacional Socialista), esses apesar de não representarem uma frente sólida nas ruas, estão sempre rateando em algum bar do centro... já encontramos alguns.

O mais interessante é que o Black Metal é totalmente contrário ao cristianismo, o que prova mais uma vez a estupidez dos indivíduos neo-nazistas.

E para concluir, fora todos esses, ainda existem aqueles que tem o nazi-fascismo vindo de berço, de sua criação.

Joinville é uma cidade com histórico muito conservador.

Esses últimos não representam perigo nas ruas, o que não quer dizer que não os combateremos.
Nem nazis e nem ambíguos!

5) Na exibição do documentário "ANTIFA: Chasseurs de Skins”, o que relatou a falta de participações de outras culturas urbanas, como demais punks, SxEs e afins. Na opinião de vocês, o que levou a falta de adesão?

Domingo, dia chuvoso, nublado, "difícil" de sair nas ruas...

Sinceramente isso não serve de desculpa para nós, estamos aí todo dia dando a cara à tapa nas ruas, faça sol, chuva ou o inferno que seja. Quem é, e se identifica com a luta não se importa com esses detalhes insignificantes.

Receio de trocar uma idéia por sermos um grupo radical? Sei lá... não entendo como um cara pode ter uma postura revolucionária e temer algo já que tem pensamento igual ou similar.

Pensamos que os que foram são os que são, se tiverem outros, OK... que venham na próxima! Estamos abertos a conversar e juntar pontos de unidade independente do seu estilo de vida.

Se não tiver... Continuaremos na nossa luta! Antes poucos verdadeiros do que muitos ambíguos. Queremos gente linha de frente ou pelo menos gente disposta a se comprometer com a causa e luta antifascista.

6) Quais os próximos eventos e ações propostas pelo Coletivo?

Nosso próximo evento será o "I Churrasco Antifascista", que contará primeiramente com um debate (sem álcool) sobre a C.N.A e o Abolicionismo Penal, quem quiser ir e não comer carne, pode levar ou fazer um rango diferenciado no local também. Em seguida iniciaremos o churrasco, para um pouco depois lançar o clipe da banda Vat Bier - "Destrua o Sistema Prisional" (banda comitê de propaganda do coletivo).

Também estamos nos organizando para realizar o "II MolotovFest", o "Fuck The Rac" e o "Grito Contra o Separatismo", assim como uma segunda exibição + debate sobre o documentário "ANTIFA: Chasseurs de Skins".
Além disso continuaremos com nossas panfletagens e intervenções.

7) O Coletivo busca estabelecer relações com outras organizações e movimentos sociais da cidade?

Com certeza sim! Inúmeras foram as vezes que trocamos idéias com pessoas envolvidas no MPL, Coletivo Contraparte, GLBT e Movimento Negro.

Chegamos a participar de ações realizadas pelos mesmos, porém acreditamos que é necessário haver uma aproximação maior com esses grupos, esperamos que com nossas idéias mais expostas e amadurecidas esses indivíduos e organizações gerem um interesse e uma maior aproximação.

8) Vocês mantém algum tipo de contato com coletivos de outros países? E no Brasil, como é a relação com os demais coletivos anti-facistas?

Esse é sem dúvida um dos objetivos que estamos perseguindo, porém ainda não temos contato com coletivos de fora do país, apenas com indivíduos.

Aqui no Brasil temos contato com os companheiros da R.A.S.H. São Paulo, com o pessoal da S.H.A.R.P SP e com alguns indivíduos espalhados pelo país, estamos procurando estreitar as relações com esses grupos e adquirir novos contatos com demais grupos de dentro ou fora o Brasil.

9) Além da atuação anti-fascista. O que pauta outras reivindicações?

Esta resposta foi dada na primeira pergunta que fala a respeito dos objetivos do coletivo.
Como complemento podemos citar também nossa luta para desvincular o Skinhead da idéia nazi-fascista que a mídia insiste em promover.

Combatemos também essa idéia de apoliticismo dentro da cena punk e skin, pois ela gera ambiguidade e deturpa duas contraculturas que nada tem a ver com a direita.
Um skinhead que diz defender suas origens tem por obrigação combater o nazi-fascismo em todas as suas formas.

10) Obrigado. A mensagem final é de vocês.

Nós que agradecemos pela entrevista e interesse.

Um ser livre é um ser ingovernável!

Odiaremos, boicotaremos, nos organizaremos, levaremos algum certo tempo, mas instruiremos nossas crianças, nossos netos e todos aqueles que possamos alcançar para combater veemente o estado capitalista, pois através do contingente, das idéias, da militância e do ódio revolucionário, nos armaremos e derrubaremos o estado econômico capitalista através de uma única luta: a LUTA ARMADA!

Um comentário:

VITÃO disse...

Uma banda que possivelmente é NSBM em joinville é a one man band DRAUGURZ
(http://www.metal-archives.com/bands/Draugurz/14480).

abs.