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25 de set. de 2011

Anda ouvindo - Parte II


A segunda edição da coluna é com o Marcio, um amigo para mais de 15 anos. A nossa amizade surgiu da necessidade de comunicar e trocar som e ideias próximas as nossas realidades de filhos da classe trabalhadora das periferias de Joinville-SC. Nos identificávamos mais com o punk-hardcore e toda ética faça você mesmo. Acompanhado da nossa origem social, nos afastávamos rock underground feito por aqui, sem deixar de considerar a importância do rock underground local. Por aqui, queríamos relacionar o punk e todos os seus elementos comunitários. O Marcio escreveu o zine Fúria Cotidianda e cantou nas bandas Vidas em Chamas e Breathing Again. O fato é que o nosso querer não deu certo. Como diria o historiador De decca, somos os vencidos da história.

O que restou é uma relação de amizade que essa porra de punk criou entre Marcio e eu. Então, fique aí com o que anda ouvindo meu amigão.

1) Em todos esses anos de punk, qual disco mais ouviu?

Com certeza é o cd Complete Discography do Minor Threat. Este cd compila o 12” Out Of Step, os 7’’s Self Titled, In My Eyes e Salad Days, além de faixas gravadas para algumas coletâneas. Os dois primeiros 7”s também foram relançados em um 12” intitulado Minor Threat...pra ser mais exato, escutei mais este 12’’ com as músicas dos 7”s do que os demais...


2) Por quais razões recomenda para um punk rocker desavisado?

Engraçado, quando escutei a primeira vez não tive aquele impacto que tive com bandas como Dead Kennedys, Dag Nasty ou Nations On Fire...Minor Threat foi uma banda que aprendi a gostar com o tempo...um dos motivos que me motivou a gostar da banda foi toda a postura “faça você mesmo” que acompanha a banda...a forma como eles produziam e distribuíam seus discos...até hoje alguns ex-integrantes da banda mantém essa postura em seu selo, a Dischord Records. As letras também me chamaram atenção...me identifiquei com várias delas. São letras do tipo atemporais, ou seja, sempre vão fazer sentido indiferente da época em que foram escritas, pois não envelhecem com o tempo...letras com questionamento as regras vigentes e a pressão de grupo, que realmente fizeram todo sentido para mim naquela época da minha vida...”I don’t smoke, don’t drink, don’t fuck – at least I can fucking think...out of step with the world”. Letras como Straight Edge e Out of Step me fizeram questionar o que eu queria pra mim como indivíduo inserido em uma sociedade baseada em consumo e discriminação de quem se opõe ao status quo...obviamente, não foi apenas por isso que me tornei punk vegan straight edge, mas essa banda e suas músicas tem relação direta com isso e tudo aquilo que entendo por punk hardcore...para mim, Minor Threat sempre vai ser minha principal referência quando eu pensar em banda punk hardcore...

3) Qual disco ouve nos últimos dias?

O que tenho escutado nos últimos dias, pra não dizer nos últimos meses, tem sido o 7” Winds of Promise, da banda chilena Remission (Escute, aqui).

4) Por qual razão tenho de ouvir?

Essa banda quando escutei pela primeira vez fiquei impressionado...esses caras já tocaram em outra banda, na Remains To Be Seen...entretanto no Remission eles deixaram a pegada youth crew de lado e investiram numa sonoridade mais pra Verbal Assault mesmo...nesse 7” tanto a sonoridade quanto as letras pessoais soam perfeitas...essa banda renovou minha fé nas bandas de hardcore da América do Sul, tanto que hoje o Remission é uma das minhas bandas preferidas e o 7” Winds of Promise se tornou um dos discos que mais gosto em minha coleção...escute e tire suas próprias conclusões...


(Por Maikon k)

31 de ago. de 2011

Anda ouvindo - Parte I

A postagem de hoje é uma estréia no blog. A coluna chamada Anda Ouvindo tem o objetivo de saber quais barulhos estão colocando os punk rockers para dançar.

 

Daniel é parceiro de longa data. Encontros no meio punk e nos protestos contra o capital. O rapaz tocou em bandas de Floripa, como Guerra de Classe e Única chance. Na dita Ilha da Magia, organizou apresentações de bandas punks de alguns cantos do mundo. Um defeito do Daniel é a condição de torcer pelo Flamengo e não ter limites para tirar onda dos amigos. Tudo bem, ele tá perdoado por ser uma figura massa.

1) Em todos esses anos de punk, qual disco mais ouviu?
Vou chutar que foi o Give em enough rope, do Clash. Mas poderia ser também o It´s alive, dos Ramones.

2) Por quais razões recomenda para um punk rocker desavisado?
Eu gosto muito desse disco porque ele casa perfeitamente o punk rock mais “urgente” do primeiro disco com músicas de refrão pra cantar junto de olho fechado e com a esperança de um mundo melhor no coração, hehe! Tommy gun, Safe european home, English civil war, são os melhores exemplos disso. Abrem o disco nesse clima que mistura um punk rock de rua com riffs extremamente criativos, bonitos. E o disco conta com sons como Julie´s been working for the drug squad e Stay free, abrindo espaço para outras referências e elementos de outros estilos, como soul, disco, já apontando o que viria a ser o London Calling, mas ainda pesando mais pro punk. E ainda rola uma canção sensacional de reflexão pública sobre eles, sobre o “estar dentro e fora” e sobre a cena em si: All the young punks. Além de tudo a gravação é excelente, pesada e suave, com todos os instrumentos bem acentuados.



3) Qual disco ouve nos últimos dias?
Estou ouvindo muito Public Image Ltd, em especial o segundo disco, Metal Box.
Itálico

4) Por qual razão tenho de ouvir?
Porque é mais doido do que o primeiro, First Issue. Não sou muito expert em pós-punk, mas gosto muito dessa preocupação em reduzir a importância da guitarra, dar mais força ao baixo, construir músicas sem necessidade de começo e fim. Gosto em especial de duas músicas do disco: Poptones, que você poderia ouvir e dizer: “uau, Fugazi ouviu isso aí”, e Carreer, que tem esse pique mais disco, mas num clima de “anti-festa”, meio de saco cheio.

(por Maikon K)